Archive for Novembro, 2006

Origamaníacos procuram-se

Segunda-feira, Novembro 27th, 2006

Vive em Portugal? Gosta de/pratica origami? Quer trocar ideias, diagramas? Onde comprar papel?…

Origamista solitária (mas bem acompanhada em todas as outras áreas) gostaria de participar em clube virtual ou encontros reais sobre origami.
Respostas na caixinha de comentários.

Caixinha para guardar sonhos

Segunda-feira, Novembro 27th, 2006

Caixinha de sonhos

As caixas de origami são uma das minhas paixões - a par com os marcadores de livros. Esta tem a particularidade de ter sido semi-criada por mim.

A base é uma dobragem tradicional japonesa, provavelmente das mais antigas, que tem o nome de Caixa “Masu”. Para a tampa, adaptei um diagrama de Nick Robinson do livro The Encyclopedia of Origami - Quarto Publishing, Londres, 2004.
O diagrama descreve apenas a dobragem num quadrado simples, com o nome de “Twisted Paper” (à falta de tradução mais exacta, chamar-lhe-ia em português  “Espiral”, já que o papel gira sobre si mesmo para se obter o resultado final).

Admirei a perícia necessária para fazer uma simples espiral, não ousei aventurar-me às nove (em 3 filas de 3), e resolvi usá-la como decoração da tampa da caixinha.
Para realizar o modelo da foto foram usados dois quadrados de dimensões diferentes (15X15 e 18X18 cm) de papel de embrulho da Ambar.

A delicadeza da decoração e a cor de luar do papel não admitem outro nome para esta caixa que não seja “Caixinha para guardar sonhos” - sonhos de Leonor, sonhos de Madalena…

Agora que o tempo é frio

Domingo, Novembro 19th, 2006

 A Borboleta Lilás  A Borboleta Branca

As borboletas partem de vez. Será preciso o regresso da Primavera para as termos de novo nos jardins e parques como flores aladas.
Até lá, fica este primeiro ensaio: os primeiros passos são idênticos, apenas as últimas dobras distinguem o aspecto final do modelo.

Do livro de Michael G. La Fosse Origami animals (Tuttle Publishing, 2004), usando quadrados de papel de seda com 15X15 cm.

Borboletas

Resposta (alargada) a um comentário ao “brocado japonês”

Terça-feira, Novembro 14th, 2006

O mérito é todo de quem “tira” estas linhas de dobragem, que constroem estas formas, de dentro de um quadrado de papel… O resto é só um bocadinho de paciência, muita teimosia para fazer vários ensaios em papel de revistas - cá em casa, o verbo reutilizar conjuga-se no presente - até obter um resultado satisfatório; depois, escolhe-se o papel para a versão final e já está!

Há, de facto, origamistas que criam, do zero, modelos (uns mais espectaculares, outros mais simples), e outros, como eu, que apenas dobram, seguindo um diagrama e instruções, aquilo que já foi inventado; não há magia, não há segredo, e uma ciência simples: usar quadrados exactos, e fazer dobras igualmente exactas - que disso depende a perfeição do modelo.

É um bom exercício de atenção e concentração, e ao mesmo tempo uma actividade lúdica e relaxante…
O melhor de tudo é ver, após a última dobra, o resultado final.
Para quem, como eu, é incapaz de desenhar, pintar, fazer música ou criar seja que forma de beleza for, esta técnica simples proporciona-me a oportunidade de criar uma quase-arte - pelo menos, aos olhos de algumas pessoas -, um objecto com alguma beleza.

A magia está nos olhos de quem vê…

Brocado Japonês

Domingo, Novembro 12th, 2006

Brocado Japonês - Perspectiva 1

Um modelo com uma pequena história…
Formado por seis quadrados com 15 cm de lado e usando três cores diferentes; foi relativamente fácil dobrar os primeiros quatro - o verde e o estampado: o problema surgiu com a manipulação dos quadrados dourados, muito finos e frágeis, sempre a ameaçar ganhar vincos em locais indesejados. Além disso, o simples contacto dos dedos deixava manchas…

A solução foi recorrer ao uso de luvas de algodão - essas mesmas, Mana, as que me ofereceste no Verão! A dobragem dos dois últimos quadrados levou mais tempo do que tudo o resto: a dobragem dos outros quatro e mais a união das seis peças para obter o resultado final, ao qual a foto não faz a devida justiça.

Trata-se de um modelo de Minako Ishibashi, apresentado por Rick Beech no livro A Handbook of Origami - Southwater, Londres, 2006. Para os menos conhecedores, acrescento que se trata de origami modular, formado por vários quadrados dobrados individualmente e depois encaixados uns nos outros de modo a formarem uma peça única.

Brocado japonês - Perspectiva 2

Grou (tsuru)

Segunda-feira, Novembro 6th, 2006

 

O grou, em japonês tsuru, é uma ave muito popular no Japão, onde se crê ser ave de bom augúrio.
Significa longevidade e a sua popularidade no País do Sol Nascente é tal que deu o nome a um dos satélites lançados pelos japoneses.

É costume dobrá-los e oferecê-los como forma de desejar boa sorte.
A tradição diz ainda que quem dobrar mil tsurus verá concedido um desejo.
É uma dobragem relativamente simples, como poderá comprovar (e aprender) nas fotos passo-a-passo de Fernando Nascimento.

Kunihiko Kasahara - um dos maiores origamistas japoneses que publicou o seu primeiro livro sobre origami em 1970 - refere em The Art and Wonder of Origami (Apple Press, Janeiro de 2006) uma antologia em três volumes publicada no Japão em 1734 dedicada a painéis decorativos esculpidos em madeira (ranma) no Período Edo (1603-1867). Nessa antologia surgem desenhos de modelos hoje considerados tradicionais, entre os quais um tsuru.

Cavalo marinho

Quarta-feira, Novembro 1st, 2006

Cavalo marinho

Eu mergulhei e vi um cavalo azul, grande, transparente e todo azul. Parecia de vidro, mas mexia-se. Mexeu a cauda, quando me viu. Tinha crinas azuis… e olhos azuis. O corpo todo era azul, azul transparente…

António Torrado, Joaninha à Janela e outras histórias

Dois cavalos que à partida não têm nada em comum, mas ambos mágicos: na beleza do texto de António Torrado, e na criatividade de Ricardo Namur que soube encontrar, no quadrado de papel, as linhas certas para dobrar esta pequena maravilha.